Reduzindo o custo de capital por meio da divulgação de indicadores ESG

Bem-vindos ao quarto e último artigo da série de artigos abordando as razões pelas quais a divulgação de métricas ESG (sigla em inglês para as melhores práticas ambientais, sociais e de governança) não só atende a uma demanda urgente dos acionistas, mas também pode ajudar sua empresa a competir por capital de maneira mais eficiente no mercado de capitais internacional. Atenção, CFOs e conselheiros: de agora em diante, vocês desempenharão um papel cada vez mais importante, já que é crescente o número de investidores que exigem um maior envolvimento do Conselho na fiscalização do desempenho da empresa nos indicadores ESG.

Parte IV: Modelos de divulgação para relatos ESG eficazes e o papel do CFO

São vários os padrões e modelos de divulgação voluntária de métricas ESG, que funcionam de forma relativamente similar às normas contábeis FASB e IFRS. Os mais amplamente aceitos pelos investidores, em âmbito internacional, são: CDP, Global Reporting Initiative (GRI), Sustainability Accounting Standards Board (SASB) e Task Force on Climate-related Financial Disclosures. Os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU também podem ser utilizados como padrão de relatório, apesar de não atingirem o nível de transparência normalmente exigido por investidores e agências de classificação ESG.

A adoção de um modelo de divulgação pública de métricas ESG costuma ser de responsabilidade do Diretor Financeiro e, naturalmente, requer uma coordenação minuciosa junto ao Diretor de Sustentabilidade, responsável por administrar e monitorar os impactos ambientais e sociais de uma companhia de acordo com suas metas– tais como atingir pegada de carbono zero dentro de um prazo específico. Desde que os investidores passaram a avaliar o desempenho ESG em conjunto com o desempenho financeiro, os departamentos de relações com investidores estão voltando a se envolver no processo de relato ESG.

As tarefas necessárias para desenvolver e manter um relato ESG eficaz incluem a identificação de riscos de sustentabilidade que sejam materiais para os investidores – ou seja, que métricas ou KPIs devem ser coletados pelas áreas operacionais da companhia, e em seguida compilados e publicados; evidentemente, o grau de materialidade varia de acordo com o setor. O desempenho ESG também pode impactar a divulgação de resultados (por exemplo, reduzindo custos de energia por meio da instalação de painéis solares), e deve ser claramente mencionado em qualquer explicação do desempenho apresentada em demonstrações financeiras e relatórios anuais, bem como em discussões com analistas, investidores, bancos e agências de classificação de risco. Isso inclui conversas sobre estratégias de negócios, planejamento de investimentos e gestão de risco, além de outras questões relacionadas diretamente à geração de valor aos acionistas.

A integração de fatores ESG aos fatores de investimento é um aspecto essencial das interações com a comunidade de investidores nos dias de hoje. Os clientes do InspIR relatam que em quase todas as reuniões com investidores europeus surgem perguntas sobre suas práticas e compromissos ESG. Devido à crescente frequência dessas conversas, o CFO e o IRO devem manter-se bem informados, já que nem sempre o diretor de sustentabilidade estará imediatamente disponível para esclarecer essas dúvidas.

Para contextualização e visualização das melhores práticas de relato ESG, listamos algumas empresas que estão na vanguarda dos relatos de sustentabilidade: Apple, Coca-Cola e Unilever.

 

Outras exigências para um relato ESG eficaz

Para que as empresas mantenham um valor justo de mercado, compitam por capital de forma eficiente e minimizem seu custo de capital, além de desenvolver relatos ESG confiáveis, é igualmente importante que o processo adotado ajude o CEO e o CFO a melhor acompanhar, monitorar e, em última instância, administrar os riscos ESG, principalmente aqueles relacionados a regras e à reputação corporativa. Um sistema de relato robusto também permite que a companhia incorpore o desempenho ESG aos regimes de remuneração, alinhando os processos de tomada de decisão às metas de longo prazo. O relato ESG também pode facilitar a comparação com outras empresas, ajudando a identificar a melhor forma de investir para melhorar o desempenho ESG. É importante ressaltar que os principais stakeholders fora da comunidade de investidores – como consumidores, clientes comerciais e funcionários atuais ou futuros – passarão a monitorar seu desempenho ao longo do tempo. Nesse caso, o custo de um relato ESG inadequado pode acabar sendo muito alto.

 

A InspIR pode ajudar a entender mais e melhor sobre ESG e como aprimorar o relato da sua empresa. Entre em contato conosco por telefone ou e-mail para agendar uma apresentação, ou conversar sobre projetos personalizados para dar início à sua jornada de desenvolvimento de melhores práticas em relato ESG.

 

Fabiane Goldstein, São Paulo – fabiane@inspirgroup.com, +55.11.98103.0201

Ivan Peill, New York – ivan@inspirgroup.com, +1 212.710.9296