Reduzindo o custo de capital por meio da divulgação de indicadores ESG

Bem-vindos ao terceiro da série de quatro artigos abordando as razões pelas quais a divulgação de métricas ESG (sigla em inglês para as melhores práticas ambientais, sociais e de governança) não só atende a uma demanda urgente dos acionistas, mas também pode ajudar sua empresa a competir por capital de maneira mais eficiente no mercado de capitais internacional. Atenção, CFOs e conselheiros: de agora em diante, vocês desempenharão um papel cada vez mais importante, já que é crescente o número de investidores que exigem um maior envolvimento do Conselho na fiscalização do desempenho da empresa nos indicadores ESG.

Parte III: Compreendendo as exigências dos investidores quanto a informações ESG

Conforme abordamos nas Partes I e II deste blog, as estratégias de investimento ESG estão se popularizando rapidamente. Outro indicador claro dessa forte tendência é a elaboração, pelo CFA Institute, de padrões para gestores de investimentos relatarem o desempenho ESG de suas carteiras. Além dos fatores de governança, boa parte das análises ESG dos investidores se concentra no impacto gerado pelas companhias sobre o meio-ambiente e as comunidades. Particularmente, elas levam em consideração a magnitude desse impacto e os riscos associados, levando também em consideração os impactos positivos. Exemplos desses riscos incluem danos à reputação de uma marca, perda de licença para operar em determinado país, ou exposição de uma seguradora a danos futuros decorrentes de mudanças climáticas.

Nesse contexto, muitos dos investidores buscam compreender o quão sustentável é o desempenho financeiro de uma companhia, já que este é considerado diretamente relacionado ao seu impacto na sociedade e no meio-ambiente. Ao avaliar os riscos relacionados, os investidores procuram mensurar a melhora do desempenho ESG ao longo do tempo, bem como o ritmo desse aprimoramento. Para realizar sua análise, eles se baseiam nos indicadores ESG divulgados publicamente pelas companhias, da mesma forma que se baseiam nas demonstrações financeiras para projetar receitas e rentabilidade. Esses indicadores incluem fontes e consumo de energia, emissões de carbono (Escopos 1 ao 3), consumo de água e geração de resíduos, entre tantos outros.

A influência das agências de rating ESG e dos Índices ESG

Alguns investidores pagam a terceiros para receberem a avaliação ESG das empresas em que pretendem investir, ou mesmo das que já fazem parte de suas carteiras. Da mesma forma que as agências de classificação de risco de crédito, como a S&P Global e a Moody’s, atribuem ratings a títulos, as agencias de rating ESG avaliam as empresas e também emitem uma determinada nota. Dentre as empresas que avaliam o desempenho ESG estão a RobecoSAM, recentemente adquirida pela S&P, MSCI, Refinitiv (antiga Thomson-Reuters), Sustainalytics e Moody’s, que detém participação majoritária na Vigeo Eiris, líder em pesquisas ESG na Europa. Tais ratings ESG são usados como um filtro por gestores de ativos e/ou integrados à análise tradicional de investimentos.

De acordo com o estudo da MSCI mencionado na primeira parte desta série de artigos, “[…] as empresas com classificação ESG elevada apresentaram níveis inferiores de beta [medida de risco] e, portanto – no contexto do modelo CAPM (Capital Asset Pricing Model) – custos de capital reduzidos.” Esses dados nos ajudam a compreender as razões pelas quais os investidores contratam pesquisas e ratings dessas agências. Os autores do estudo também apontaram que “as empresas com classificação ESG elevada costumam ser mais transparentes, principalmente no que diz respeito à sua exposição ao risco e aos padrões de avaliação de risco e governança”. Ou seja: elas conseguem atender, por meio de relatórios ESG eficazes, às exigências de informações dos investidores.

Fornecedores de índices, como FTSE, S&P e MSCI, também realizam análises ESG para definir quais companhias ao redor do mundo devem compor seus respectivos índices de sustentabilidade. Em 2019, os fundos de índice, liderados por BlackRock, State Street e Vanguard, ultrapassaram a marca de US$ 10 trilhões. Quanto mais investidores alocam seu capital em fundos passivos e, portanto, relacionados a práticas ESG, mais significativas são as implicações. Os valores de mercado das companhias que são incluídas nesses índices se beneficiam da demanda advinda de fundos que utilizam índices ESG como benchmark, como o ISE no Brasil, o Dow Jones Sustainability, o FTSE4Good e os índices MSCI ESG – alguns dos mais conhecidos e amplamente utilizados pelos investidores.

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