A Rápida Evolução da Dinâmica de Investor Outreach na Era do COVID-19

Não é novidade que os times de RI vêm buscando ativamente maneiras de aprimorar as estratégias de conectividade com investidores, como resposta a mudanças drásticas no cenário – como MiFID-II e os impactos nos modelos de interação tradicionais, aumento acentuado de fundos passivos, além de investidores ESG com demandas diferenciadas de conteúdo e engajamento. Mas agora estamos imersos em mais um momento de ruptura nas formas de conexão com a comunidade financeira – a pandemia do coronavírus está impelindo gestores e times de RI a se adaptarem a um novo patamar e frequência de disclosure, além de buscarem estratégias ágeis e inovadoras para a conexão com investidores. Eis aqui uma breve compilação das mudanças que vêm acontecendo no mercado.

Proatividade na divulgação de informações

Há uma quantidade cada vez maior de fatos relevantes e comunicados ao mercado relacionados ao coronavírus por parte de empresas globais supervisionadas pela SEC nos Estados Unidos, com quase 249 arquivamentos entre 12 de fevereiro e 26 de março. Só no dia 25 de março foram 27 arquivamentos, contra apenas um em 12 de fevereiro, de acordo com dados do FactSet.

Nosso intenso trabalho com clientes baseados na América Latina e monitoramento de mercado mostram que os principais assuntos abordados incluem: atualizações e cancelamentos de guidance, adiamento de assembleias gerais e programas de recompra de ações, suspensão de dividendos, medidas de redução de custo, restruturação e redução de linhas de crédito, fechamento de fábricas e análise de sensibilidade para transações de M&A em andamento. Em um próximo artigo, discutiremos com mais detalhes as tendências sobre disclosure e arquivamentos que observamos em março.

Como a credibilidade é um componente chave nas decisões de investimento, a divulgação dos planos de contingência pelas empresas é fundamental para dar visibilidade ao mercado sobre a capacidade e a resiliência dos gestores para enfrentar os imensos desafios – financeiros e não financeiros – decorrentes do Covid-19.

Alta conectividade com o público investidor

A dinâmica empresa-investidor sempre foi pautada pelo alto grau de conectividade, e o cenário atual só corrobora esse ponto.A natureza extremamente adaptável do mercado, amparada por ferramentas tecnológicas ágeis, vem mostrando uma ampla e rápida transição de interações presenciais para ambientes totalmente virtuais, decorrentes das imposições de distanciamento social. Os investidores têm demonstrado enorme interesse em conversar com os gestores das empresas, e elas estão correspondendo. As companhias vêm usando este contexto inédito para se aproximar dos atuais acionistas e investidores em potencial. Como vem acontecendo a transição para um mundo inteiramente virtual?

No início de março, um artigo no Financial Times anunciou queda acentuada nas interações com investidores em função do cancelamento de roadshows, conferências e capital markets days. No entanto, essa trajetória foi revertida rapidamente, com o surgimento de interações online de alto nível entre empresas e investidores institucionais. Além de estar mediando interações desse tipo, o time de Investor Access da InspIR vem monitorando atentamente os desdobramentos das estratégias de outreach entre empresas, o buy-side e o sell-side.  O que estamos observando no Brasil?

  • As videoconferências organizadas por corretoras ou pelas próprias empresas com pequenos grupos de investidores (locais, em sua maioria) mais do que dobraram em uma semana, sendo grande parte delas com companhias de setores fortemente impactados pela pandemia.
  • Em função do timing das interações diante das intensas movimentações de carteiras de fundos, alta volatilidade do mercado de ações, mudanças regulatórias setoriais e novos decretos nos âmbitos estadual e federal, os eventos online vêm ocorrendo em horários flexíveis, bem antes da abertura do mercado até bem após o fechamento, um cenário distinto se compararmos com o rígido protocolo dos eventos presenciais.
  • Em tempos assim, líderes excepcionais fazem a diferença em preservar suas empresas, valuation e marcas, e grande parte das interações virtuais conta com a participação da alta diretoria. Muitos CEOs aderem a esse movimento virtual, com o ganho de tempo proporcionado pelo ambiente remoto. Dependendo do setor, as companhias também engajam diretores de outras áreas, e tais iniciativas vêm sendo muito bem recebidas pelo mercado, que reconhece que o management pode não ter ainda respostas para todas as questões levantadas.
  • Uma enorme mudança de estilo está prevalecendo nos encontros remotos: apresentações tradicionais e engessadas dão lugar a formatos mais dinâmicos e espontâneos. Alguns investidores já estão dizendo que este modelo virtual pode se tornar o “novo padrão”, não só quanto à frequência das interações, mas também por questões de produtividade e eficiência.
  • Será que estamos diante de uma mudança de paradigma em Investor Access, desencadeada pela atual pandemia e ampla oferta de plataformas de interação online, como Zoom? Os indícios apontam que a mudança será transformacional, mas vamos continuar monitorando sua evolução. No entanto, alertamos as empresas a seguirem práticas equânimes de divulgação ao discutirem informações que possam ter caráter relevante. Dessa forma, os executivos devem continuar se preparando com cuidado para essas discussões e providenciar o treinamento adequado para membros da equipe que ainda não tenham interagido com o mercado.

Como especialistas em Investor Access nos canais físico e remoto e, observando os encontros virtuais recentes, destacamos alguns pontos da dinâmica online:

  • Escolher o canal certo faz diferença. Um estudo recente da McKinsey, baseado na experiência da China com interações virtuais, mostra que as ferramentas de videoconferência são ótimas para a discussão de assuntos complexos em tempo real e para a criação de um senso de comunidade, mas exigem testes adequados de coordenação e foco.
  • Planejamento estratégico e execução são fundamentais. Neste aspecto, não há diferença entre eventos presenciais e remotos. Os resultados dependem de intenso planejamento (pauta, marketing, público-alvo, dinâmica de Q&A, treinamento de moderator/palestrante) e experiência de execução – da escolha da solução virtual mais apropriada até o acompanhamento da transmissão e follow-up. O mesmo rigor deve ser empregado na escolha dos investidores certos e no marketing para engajar público de qualidade.
  • Conteúdo vale ouro. O grande foco dos eventos virtuais é o conteúdo, então é fundamental adaptá-lo para o formato online, assessorando os palestrantes sobre estratégias que garantam o engajamento e o entusiasmo durante o evento.

Aqui na InspIR Group, estamos sempre ligados nos desdobramentos do mercado de capitais que possam impactar como as empresas se comunicam com investidores e como elas podem acessar e atrair esse público da forma mais eficiente. Estamos sempre empenhados em oferecer assessoria estratégica de alto nível e serviços ágeis a nossos clientes, incluindo estratégias eficazes de engajamento com investidores, em todas as condições de mercado. Fiquem bem e continuem interagindo!
Priscila Nannetti – Senior Director – São Paulo – priscila@inspirgroup.com  +55 11 96586-9310

Ivan Peill – Senior Director – Nova York – ivan@inspirgroup.com  +1 212 710 9296